Somos a Associação de Cooperação Técnica para o Desenvolvimento Humano - Outro Olhar, fundada em 2008, a partir da ideologia e determinação de diversos profissionais de várias áreas do conhecimento com vasta experiência em projetos ligados ao terceiro setor.

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domingo, 24 de setembro de 2017

Vivências e Inspirações!

O intercâmbio com a Shishu começou em um cenário espetacular, localidade de Santa Bárbara, nas montanhas no norte da Itália na província de Trento.
Em Ronzo-Chinies visitamos o Consórcio local, que é uma experiência de grupo de agricultores que se organizaram em forma de cooperativa com aproximadamente 130 associados.
Trabalham desde a assistência técnica, apoio na aquisição de insumos, crédito e comercialização. A região é muito particular, em um vale, entre as montanhas, com altitude que varia entre 600 e 1100 metros. O que, segundo eles, dá todo um sabor particular aos produtos, na sua maioria hortaliças.
Trabalham a agricultura, para eles definida como biológica, que seria aqui provavelmente o orgânico ou agroecológico, uma vez que se importam com as pessoas, natureza, qualidade dos alimentos, etc... Principal inspiração nessa visita a força de vontade e energia da sua coordenadora e a constatação que foi um processo, pois iniciaram nos anos de 1950; o segredo é a paixão e a persistência.

Na caminhada pelo Monte Creino, história, arte e natureza encantam os olhos e os sentidos. Logo no começa da subida, ao longo do caminho o ‘Creinarte’, ideia que começou com uma mãe que com seus filhos fez arte com materiais da floresta, a cada verão fazem novas artes que são colocadas ao longo do caminho com nome e data. No alto do monte, a vista ampla e ao fundo o Lago de Garda. Na descida pelo lado oposto, a passagem pelas ruínas da guerra, trincheiras. Lembranças que impressionam e fazem refletir sobre o que é uma guerra, os sofrimentos que causam e as marcas que deixam.
Nessa caminhada a inspiração foi de que pode-se pensar em fazer na trilha Tape Porã do Itakora a confecção de esculturas a partir de histórias Guarani, como atividade didática para estudantes ou grupos de visitantes, valendo também para as aldeias.

A visita nas agroindústrias pudemos observar o processo de produção, as semelhanças e também as diferenças entre as duas. Uma processa tanto alimentos biológicos como convencionais; outra apenas biológicos e a preocupação com a qualidade nutricional do alimento final. Ambas com a valorização dos produtos e agricultores do Vale de Gresta, inclusive identificando o Vale na embalagem dos produtos. Valorização do local.
Como aprendizado e inspiração o processo de organização, manutenção e condução de uma agroindústria, os cuidados, investimentos necessários e fundamentalmente os princípios biológicos a serem a filosofia principal do negócio.

No Vale Bretonico visitamos os "Baldenses", um grupo de quatro agricultores jovens que se organizaram e criaram uma cooperativa que beneficia e comercializa as plantas aromáticas e medicinais em forma de chá e temperos. A proposta é valorizar a particularidade do Vale Bretonico, da montanha e a alimentação biológica. Cultivam as plantas em 4 hectares em altitudes diferentes, também coletam algumas plantas espontâneas na montanha.
Um passeio turístico por Rovereto, muita história,  preservação e valorização tanto dos lugares como das lembranças. Uma parada no espaço público para ver danças de um grupo de refugiados, trabalho de outra associação.
Seguindo para a horta comunitária ao lado de uma escola em uma região com poucos espaços públicos gratuitos, projeto que a Shishu participa; recuperaram uma área que um dia foi agricultura e depois já estava virando mata novamente. É aberto a todos que podem ir e fazer plantios, colheitas, conversas, etc; tem um profissional técnico para orientar e planejar com os interessados o que plantar, quando e como; usam os métodos da agricultura sinérgica.
Os refugiados que fazem trabalho voluntário na horta recebem certificado e isso ajuda no processo de receberem o visto para ficar na Itália. Fez-se a colheita de algumas plantas e fomos a um Centro onde foi feito o jantar ‘pasta com pesto’ e o pesto de quatro formas: repolho negro, ortiga, rúcula e manjericão. Bem saboroso! O alimento unindo pessoas!!
Fim de semana as margens do Lago de Garda, alguns passeios turísticos e a volta para a montanha, agora para Folgaria - Serata, na casa dos pais de Alessio, que fez voluntariado no Brasil entre 2010 e 2011.
A última visita nas montanhas, foi novamente no vale Bretonico, um sítio de agriturismo do encantador casal Vasco e Isa. O casal mora nas montanhas há uns dez anos, quando fizeram a recuperação e reforma da casa de família, com quartos para hospedar 10 pessoas. Recebem filhos de amigos e estudantes para visitas. Programação para um dia e para grupos de estudantes inclui a caminhada para subir a montanha guiados pelo Vasco que vai contando a história do vilarejo. Tem almoço e são divididos em dois grupos, um para passeio de cavalo e outro para trabalho manual.
Os grupos para uma semana ficam hospedados, ajudam nas atividades (arrumam sua cama, limpam o banheiro, ajudam a fazer a comida, fazem passeios a cavalo, ajudam a cuidar dos animais). A atividade também é chamada de Fazenda Didática. É um casal apaixonado pelo que faz, fazem agricultura biológica, são resilientes e persistentes. A conversa foi excelente. Vasco era cozinheiro de profissão e Isa trabalhava e no inverno ainda trabalha em escola.

No final das vivências uma conversa com a Shishi sobre as impressões, aspirações e possíveis ações. As impressões foram diversas, mas sempre uma possibilidade de fazer algo semelhante no Tembiapo e na Outro Olhar, as frutas para suco, compota, doce, geleia marmelada. As formas de organização para turistas, colaborações, nichos de mercado direto com consumidor, conscientização do consumidor, etc. E os passos seguintes são organizar as agroindústrias do Tembiapo. O desafio é grande, porém não impossível. Mãos à obra!!!
Por: Sandra König - associada Outro Olhar











terça-feira, 18 de julho de 2017

Descobertas do mundo de Lá

Foram dias intensos de muitas descobertas. Descobertas de um ‘mundo de coisas’ muito diferentes e outras descobertas de coisas semelhantes. O que mais atraiu minha a atenção foi o caminho para a comercialização direta e diversificação das propriedades que as famílias agricultoras trilharam.
Foi muito interessante conhecer as diferentes famílias e as formas de comercialização direta que fazem dos seus produtos. O açougueiro que abate seus animais e os animais dos vizinhos e redondezas e comercializa ali no seu estabelecimento. Que na minha percepção não tem tanto o aspecto ‘mercadológico convencional’, há uma relação mais humana, próxima e informal entre quem procura os alimentos para comprar e quem os produz.
Já na família que trabalha com leite e vende direto na propriedade a partir de uma máquina automática, assim como vende também os ovos e outros produtos a relação é direta mas não pessoal. Os consumidores se ‘auto servem’ na máquina, não há a necessidade de pessoas para atender, apenas para manter a máquina funcionando. Ainda assim é uma relação direta, pois os consumidores vão até a propriedade de buscam seus alimentos.
O agricultor que, de suas maças, faz o suco e vende para os visitantes na sua propriedade. Promove visitas de conhecimento com escolas e também outra pessoas e estudantes da comunidade. Unindo produção, comercialização e serviços na propriedade que a própria família é responsável e executora.

Entre outras visitas que proporcionaram muitas reflexões e ideias que podem ser desenvolvidas nas comunidades indígenas. A realidade cultural e social são distintas, daqui e de lá. Mas também aqui há um movimento da sociedade em valorizar mais o local/regional, procurar alimentação natural.
Acredito que esse é o caminho que poderá ser conquistado pelas comunidades indígenas, organizando as aldeias para fornecer produtos e serviços, e dessa forma agregar valor, aos produtos e serviços produzidos e ofertados na aldeia. E com essa prática, ir descortinando os preconceitos e desconfianças que a sociedade indígena tem em relação às sociedades não indígenas.
Por: Sandra König - associada Outro Olhar








segunda-feira, 12 de junho de 2017

Relatório de Atividades Outro Olhar 2016

No dia 10 de junho, uma manhã fria, os bravos associados e convidados da Outro Olhar compareceram para a Assembleia Geral Ordinária - AGO. Agradecemos a todos que fazem parte dessa família e que permitem a Outro Olhar existir e lutar por um mundo mais humano com menos desigualdades.
Motivados por uma das frases de Ghandi "Seja a mudança que você deseja ver no mundo" foi apresentado e aprovado o Relatório Anual de Atividades da Outro Olhar de 2016, compartilhado a seguir.